quinta-feira, 16 de maio de 2019

Picos de Europa 2019


Voltamos à estrada, de 01 a 12 de Maio de 2019, agora em grupo denominado “Cagarros de Norte a Sul“, e com o objectivo de alcançar os Picos da Europa que é uma formação montanhosa na Cordilheira Cantábricano norte da Espanha.

Esta formação calcária estende-se pelas AstúriasCantábria Castela e Leão, destacando-se pelas suas altitudes, em muitos casos acima dos 2500 metros, pelo próximo que estão do mar. Para qualquer motard este local está no topo dos seus destinos, sendo sem dúvida um ponto de passagem obrigatória.
Prevíamos fazer cerca de 2700 Km em que mais de 90% seria em estradas nacionais.
O inicio da nossa viagem deu-se em Lisboa no transitário empresa ETE Logística, S.A., parceiro muito importante, ao qual desde já agradeço, onde os companheiros de viagem foram levantar os seus motociclos uma Honda Transalp e uma Kawasaki Versus.
Nos primeiros quilómetros parecia que a Transalp estava desgovernada. O peso das malas laterais, top case, duas pessoas, suspensões da frente e traseira já com desgaste fizeram com que tivesse de adaptar a condução às condições da mota. Depois de alguns quilómetros tudo ficou normal.
Seguimos viagem pelas estradas nacionais. Como tinha configurado o GPS “Here WeGo” para preferência de rotas sem Autoestradas, Pedágios, Balsas, e Ruas de Terra, saímos de Lisboa por locais por onde nunca tinha ainda circulado. A diferença foi evitar Ruas de Terra. O almoço foi no restaurante “A Sardinha” em Peniche. Após almoço fomos em direcção a Aveiro chegando a tempo do lanche. Depois do descanso fomos em frente com destino a Matosinhos em auto estrada porque o tempo estava a ficar curto. Fomos ao encontro do nosso amigo Paulo Martinho que é o pioneiro do FreeStyle em Portugal. As Transalps possuem um problema de leitura de chave de ignição e fazer uma viagem destas sem uma segunda chave poderia ser um risco. O nosso amigo Paulo Martinho para além de se dedicar ao FreeStayle também possui os meios e conhecimentos para rapidamente criar uma segunda chave e foi o que aconteceu. A dormida aconteceu na Estalagem Zende em Esposende. No dia seguinte seguimos em direcção a Vigo Espanha. Nessa viagem denotei que a Transalp estava a verter um pouco de óleo pela junta da cabeça do motor e veio da embraiagem. Na verdade antes do inicio da viagem verifiquei que o nível de óleo do motor estava no mínimo e optei por fazer a mudança de óleo e filtro. Fiz um post no fórum da transalp no facebook e houve algumas opiniões mas nenhuma foi no sentido de parar a companheira. Por isso seguimos em frente. Dormimos em Vigo, no Hotel Hesperia Vigo, onde ficamos muito bem acomodados onde a Transalp teve direito parque fechado pago. No dia seguinte fizemos caminho a Santiago de Compostela local onde pernoitamos e tivemos a alegria de encontrar gente dos Açores. Jantamos todos juntos e foi uma grande festa.
No quinto dia fomos de viagem até à linda baía da La Encoronada em Luarca local que já pertence às Àsturias, onde pernoitamos no Hotel Báttico Luarca. O local é uma baía piscatória muito bonita.
No sexto dia passamos por Oviedo e almoçamos em Villamayor, Asturias, Espanha. Seguindo sempre a Nacional 625 entramos nos Picos da Europa. Continuamos a movimentar-mos passando por paisagens de uma beleza indescritível. Só mesmo estando lá para vivenciar as estradas serpentadas. E a cereja sobre o topo do bolo foi sem dúvida o sol que sempre nos acompanhou. Sim, porque as paisagens contempladas com a luz natural dá outro sabor À natureza. Muitos são os motards que fazem mais quilómetros e depois não conseguem dislumbrar as paisagens porque o clima não permitiu. No nosso caso estava tudo perfeito. Um pouco de frio, sol e uma luz natural inesquecível.
Depois de várias voltas serpentado a serra pela N 625, sim porque a Transalp adora este tipo de estrada e pavimento, paramos para pernoitar e jantamos no restaurante Mesón El Arcediano. A dormida realizou-se num excelente local com uma tranquilidade indescritível e paisagem magistosa sobre os Picos da Europa. No local houve parque de estacionamento para a Transalp.
No dia seguinte tentamos chegar à cabeça do “Leão” que afinal não era leão mas sim um urso. A falta de informação nas estradas sobre esse ponto dificultou e muito o encontro com a estátua. Embora esse fosse também um objectivo nosso nunca descuramos a beleza de todos os recantos por onde passamos. Procuramos informação junto de outros motartds e para nosso espanto muitos também não sabiam da existência do local. Foi no encontro com um motard português que recebemos a informação precisa do local. Realmente o local é digno de uma visita. Novamente a paisagem é de cortar a respiração. Mas eu e a minha mota fomos mais longe. Fomos mesmo aos pés da estátua local onde poucas Translp já foram. Aproveitamos ao máximo cada segundo!
Depois de muitas fotografias e algumas deslocações a  seguimos caminho pela N 621 com o rumo a León. Deixar os Picos da Europa foi difícil porque é naquelas estradas que Transalp se sente confortável. Foi construida para isso! A meio da viagem deparei-me com um pastor espanhol e logo parei para trocar umas impressões. Pois bem ganhei um amigo e uma “selfy”. A insistência do homem foi que eu Partilhasse o meu numero telemóvel com ele e que fizesse a ligação naquele momento. Foi o que fiz tendo o homem focado com o meu numero de telefone. A admiração que sinto por esta gente é grande e sempre que tenho a oportunidade paro para dialogar com estes seres humanos que muito tem para nos ensinar. Uma vida difícil e solitária.
No dia seguinte caminhamos em direcção a Segóvia. Fomos parando em locais com vista a conhecer um pouco da história dos locais. Dormimos em Segóvia para no dia seguinte fazermos viagem para Madrid onde pernoitamos duas noites. A Transalp ficou estacionada no passeio no centro de Madrid. Foi colocado o cadeado. Felizmente não houve qualquer incidente com a Transalp. Muita gente e trânsito no centro de Madrid.
Depois do merecido descanso e visto o óleo do motor que estava no nível quase mínimo a Transalp seguiu a sua viagem naquela que foi o maior número de quilómetros já realizados nesta viagem cerca de 473 Km num só dia, em estradas nacionais, além das cerca de 6 horas. Desgaste muito elevado para Transalp e passageiros sobre um calor muito intenso de 36ºC.
Objectivo era passar a fronteira nesse dia e foi atingido quando chegamos a Alcobaça já sobre o fusco da noite. Depois foi encontrar local para dormida que recaiu sobre a Residencial Luso Espanhol e o jantar na Tasquinha Alentejana onde degustei o ensopado de borrego. Ainda antes paramos para almoçar no Restaurante Portugal isto em Espanha.
O último dia de viagem foi seguir para Lisboa local da partida da aventura.
Nas malas para além das roupas levamos flyers dos Açores, ilha de Santa Maria e do Santa Maria Blues, festival que é a capital de Blues de Portugal e que ocorre todos os anos no mês de Julho na ilha de Santa Maria.
É sempre com orgulho que falamos da nossa terra ilha de Santa Maria e dos Açores no geral.
Houve muita conversa pessoal. O que notei é que dentro das cidades as pessoas no geral estão fartas de tanta publicidade. Mas fora dos grandes centros urbanos foi possível parar, conversar e distribuir os panfletos. As perguntas sobre a ilha de Santa Maria foram muitas. Algumas pessoas já tinham estado em São Miguel e Terceira. Aproveitamos cada momento para divulgar a nossa terra.
De realçar o comportamento excelente da Honda Transalp que mesmo com o nível de óleo do motor quase no mínimo conseguiu uma prestação à sua altura.
Rolamos 2900 km um pouco mias do que estava inicialmente previsto.
Esta aventura foi um enorme misto de emoções quer sejam sensoriais, psicológicos, naturais e de partilha.